Trustália - uma quase distopia - Lançamento em São Paulo 03/05

Trustália - uma quase distopia - Lançamento em São Paulo 03/05
Magno Mello

terça-feira, 1 de março de 2016




Trustália - uma quase distopia


Sinopse

A população de um pequeno povoado tem seu destino radicalmente alterado após o aparecimento de uma misteriosa luz amarela. A partir do fenômeno, os habitantes começam a ouvir os pensamentos alheios. Essa ideia, inicialmente simples, permitirá ao autor imprimir uma desconstrução progressiva dos caracteres humanos, gerando com isso reflexões acerca das sutis estratégias presentes nas relações cotidianas, da não fixidez das personalidades, das incontáveis inverdades oficializadas, naturalizadas e ou divinizadas, e ainda, da própria validade e legitimidade da palavra em suas muitas formas de uso.

Embora se passando num tempo pregresso indeterminado, talvez de nossos avós ou bisavós, a história fala da vida na atualidade e pretende ser uma metáfora da era da plena informação e comunicação, essa que vem colocando abaixo valores, comportamentos e sentidos inaugurados há séculos, e pela primeira vez, sem que haja sinais de novas possíveis utopias que venham substituir tudo o que agora se desmorona no mundo.



Trechos


"Não havia mais caminho de ida ou de volta, o mundo estava por um fio. A não ser que partissem de lá. Mas algo não deixava: uma espécie de anjo exterminador que construíra uma redoma invisível, à prova de fuga. Seria outra manifestação do fenômeno? Ou eram as mentes tornadas viciadas, que agora estavam presas umas às outras, naquela rede sinistra de comunicação absoluta?"

"O mundo desabava aos olhos de padre Antero. Se em outros tempos escolhera viver de corpo e alma dedicados à fé, agora, a voz da razão, a qual ele tentara calar à força para gozar a plenitude da crença, invadia-lhe a chicotadas as intermitências do espírito, apresentando-se como inimiga maior de tudo que construíra. A começar pela própria reflexão do quanto sua crença também havia sido construída e não brotada por arrebatamento. E havia outro sentimento, até mais incômodo: o quanto o ciúme quase doentio que sentia da noiva, aquele sentimento tão bem escondido, que tanto o diminuía, o qual jamais teve coragem de assumir diante dela, de ninguém, depois nem de si mesmo, que lhe fazia ter medonhas fantasias de abandono e escapava de estranhas maneiras, embora ela de nada desconfiasse, enfim, o quanto isso teria pesado em sua decisão de desmanchar o noivado e aspirar à batina?"

"Foi lá que a deitou já lhe abrindo as pernas e mergulhando a boca naquele presente, na jóia rara de desenho delicado, de lábios rosados e cheiro suave de fêmea. Ali explorou com sua língua os pequenos segredos da densidade, às vezes levantando a cabeça e admirando aqueles seios médios, duros, feitos no talho exato, a barriga também esculpida pela boa vontade da natureza, a pele branquíssima, a penugem ínfima, até mergulhar novamente sua boca entre as pernas roliças, empurrando-a em direção ao clitóris, pressionando levemente também o queixo na entrada da coisa linda que dali a pouco seria arrombada por seu pau que já latejava."

"- Eu vi o tamanho do mundo - repetiu atabalhoado o marceneiro outras tantas vezes, enquanto tentava se lembrar das imagens que testemunhara, porém nada mais lhe vinha à cabeça. À sua frente a fogueira e na mão a santa quase pronta, entalhada na madeira. Abelardo voltou a entalhar e começou a mudar-lhe os cabelos, deixando-os doidamente esvoaçantes, até que lhe parecessem cobras de uma medusa celestial, que a tudo transformava, não em pedra, mas em infinito - Eu vi o tamanho do mundo."

"Quando finalmente pareceu mais calma, olhou no fundo dos olhos do marido e com um tom de voz quase doce pediu que a soltasse. Ele acedeu. Mal tendo ele afrouxado as mãos, ela escapou e correu e sem hesitar atirou-se na correnteza do rio, que por ali passava largo e profundo. O marido, novamente mal acreditando no que acontecia, também sem titubear mergulhou no rio, na tentativa de salvar aquela que mesmo com todas as chances de ter enlouquecido, era a mulher que amava."

"Ficou, portanto, trancafiado apenas na lembrança de Comandante, que ali havia sido terra de ninguém, de um falecido sem herdeiro. Até que ele se apossou, de modo semelhante ao que se conta sobre o primeiro dono de algum lugar no mundo. Diz-se que certo dia, nos primórdios da propriedade, alguém delimitou um pedaço de chão e decretou: - Meu! - E acreditaram, sabe-se lá por meio de que argumentos de força bruta ou de direito divino."

"Só depois de esperar o suficiente para tornar justas as condições para ambos, partiu para cima do oponente endereçando-lhe um direto no queixo. Naná, porém, foi mais rápido. Esquivou-se com tempo até de sobra, o que fez Ualter rodopiar entre as pernas, cambaleando engraçado. O povo comentou, fez barulho. Ariana assistia a tudo com preocupação, desejo, culpa, e agora, por puro reflexo de mulher, com ligeiro escárnio pela investida desajeitada de seu defensor."


(Veja o flyer do lançamento logo abaixo)

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